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Rubio diz que EUA não querem romper com Europa, mas critica imigração e 'culto climático'

Rubio diz que EUA não querem romper com Europa, mas critica imigração e 'culto climático'

Chefe da diplomacia americana reassegura aliança, mas critica migração, 'culto climático' e 'dogma do livre comércio'

Por Ricardo Della Coletta/Folhapress

14/02/2026 às 10:20

Foto: Elizabeth Franz/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Rubio diz que EUA não querem romper com Europa, mas critica imigração e 'culto climático'

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio

O chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, afirmou que os Estados Unidos não desejam encerrar a histórica aliança com a Europa, num discurso recebido com certa dose de alívio por líderes do continente. Ele apresentou, porém, uma visão de futuro compartilhado sob os termos de Donald Trump que envolveu críticas à imigração massiva e ao que chamou de "culto climático".

Rubio fez o discurso em Munique, na Alemanha, no qual disse que, nas últimas décadas, EUA e Europa cometeram erros conjuntos: terceirizaram soberania a organizações internacionais e abraçaram uma "visão dogmática de livre comércio".

Num eco à retórica de Trump, o secretário de Estado disse que a imigração massiva tanto nos EUA quanto na Europa ameaça a coesão das sociedades e a continuidade da cultura Ocidental.

O auxiliar de Trump discursou na Conferência de Segurança de Munique, um dos principais fóruns de diplomacia e defesa do mundo, um ano depois de um pronunciamento de J.D. Vance, vice de Trump, que prenunciou uma série de crises entre as capitais europeias e Washington ao longo de 2025.

"Sob o presidente Trump, os EUA irão mais uma vez assumir a tarefa de renovação e restauração, movidos por uma visão de um futuro tão orgulhoso, vital e soberano como nossa civilização do passado", disse Rubio.

"E enquanto estamos preparados para fazer isso juntos, é nossa preferência —e esperança— fazer isso conjuntamente com vocês, nossos amigos da Europa. Porque os EUA e a Europa devem estar juntos".

Rubio ignorou as recentes tensões entre a União Europeia e os EUA em torno das ameaças de Trump de anexar a Groenlândia, território autônomo da Dinamarca, mas disse que os destinos de europeus e americanos estão entrelaçados.

Em seu discurso, o mais aguardado da conferência, Rubio defendeu um "novo século do Ocidente" marcado pela reindustrialização e pela criação de cadeias de suprimento não vulneráveis à China, ao mesmo tempo em que defendeu o fim das políticas de fronteiras abertas.

Também defendeu, assim como todas as autoridades presentes, que a Europa precisa ter os meios para defender a si mesma.

Rubio reservou algumas de suas críticas mais duras ao sistema internacional e à ONU (Organização das Nações Unidas) em particular, instituição que, segundo ele, precisa ser reformada.

"A ONU ainda tem tremendo potencial para ser uma ferramenta para o bem no mundo. Mas não podemos ignorar que hoje, nos assuntos mais críticos, ela não tem respostas e não teve praticamente nenhum papel", disse, citando tanto a guerra em Gaza quanto os bombardeios americanos a instalações nucleares no Irã.

"Nós na América não temos nenhum interesse em sermos os cuidadores educados do declínio do Ocidente. Não buscamos nos separar, mas revitalizar uma antiga amizade e renovar a maior civilização da história humana", afirmou.

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