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Toffoli via saída do caso Master como admissão de culpa, mas cedeu para preservar tribunal

Toffoli via saída do caso Master como admissão de culpa, mas cedeu para preservar tribunal

Reunião com todos os dez ministros do Supremo foi decisiva para mudança de posição

Por Luísa Martins/Folha

13/02/2026 às 10:00

Atualizado em 13/02/2026 às 10:05

Foto: Rosinei Coutinho/STF

Imagem de Toffoli via saída do caso Master como admissão de culpa, mas cedeu para preservar tribunal

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli

A decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, de se afastar da relatoria do caso Master foi construída ao longo desta quinta-feira (12). Pela manhã, o ministro disse a colegas de tribunal que essa possibilidade estava completamente descartada, apesar das pressões.

Toffoli chegou a afirmar a um interlocutor que, àquela altura, sua saída seria comparável a uma admissão de culpa.

No entanto, conversas com auxiliares e outros ministros fizeram o magistrado mudar de posição. Os principais argumentos eram de que havia um desgaste coletivo para o tribunal e que a pressão sobre Toffoli aumentaria cada vez mais.

Essas posições foram reforçadas durante a reunião convocada pelo presidente Edson Fachin com os dez ministros do Supremo, para debater o relatório da Polícia Federal entregue ao STF. O documento elaborado pelos investigadores com informações sobre as relações entre Toffoli e o Banco Master aponta indícios de crimes que podem ter sido cometidos pelo ministro.

O relatório entregue pela PF ao STF aponta que Toffoli recebeu dinheiro da Maridt, que vendeu sua participação no resort Tayayá em 2021 para um fundo da teia do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master.

O magistrado disse que isso ocorreu por ser sócio da empresa junto a outros familiares. Em nota divulgada nesta quinta, o ministro confirmou que "faz parte do quadro societário" da empresa Maridt, que foi uma das donas do resort Tayayá, no Paraná.

Segundo participantes da reunião, Toffoli se defendeu de todos os questionamentos sobre sua relação com o ex-banqueiro Vorcaro, dono do Master, mostrando inclusive documentos.

Os ministros construíram então uma declaração pública em nome do tribunal, argumentando que, apesar da saída de Toffoli do caso, não havia suspeição e, portanto, todos os atos praticados por ele como relator deveriam ser considerados válidos.

Essa decisão foi considerada importante pelos integrantes da corte para tentar impedir uma onda de anulações nas investigações, evitando também novos desgastes do STF na sociedade. Toffoli concordou com essa costura sem apresentar objeções.

O relatório da PF tem mensagens trocadas entre Vorcaro e seu cunhado, Fabiano Zettel, em que ambos discutem pagamentos para a Maridt.

Nas mensagens, Vorcaro e Zettel citam o nome do magistrado e combinam as transferências, que seriam pagamentos pela compra do resort. Há menções a pagamentos recentes, feitos em 2025, ano em que o negócio foi concluído.

Em nota, o ministro afirmou que "jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel".

Alguns ministros manifestaram contrariedade à atuação da PF nesse caso. Segundo um relato colhido pelo jornal Folha de São Paulo, a avaliação desse grupo é que a corporação fez uma investigação contra Toffoli sem autorização —uma vez que uma apuração formal contra ministros do STF precisa de aval prévio do tribunal.

Embora a PF não tenha iniciado formalmente um inquérito, a impressão desses magistrados é que houve um avanço que foi além de uma coleta de material que citasse Toffoli, apontando conexões e tratando-o como se fosse um dos investigados. Esses ministros afirmam que a conduta deverá ser analisada pelo novo relator do caso. André Mendonça foi escolhido para a função.

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