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Chefe de gabinete de Lula move ação contra Kim Kataguiri por declarações sobre Vorcaro no Planalto
Chefe de gabinete de Lula move ação contra Kim Kataguiri por declarações sobre Vorcaro no Planalto
Por Karina Matias / Folha de São Paulo
23/03/2026 às 07:23
Foto: Vinícius Loures/Câmara dos Deputados
Kim Kataguiri
O chefe de gabinete do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, ingressou com uma interpelação judicial contra o deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) para que o parlamentar dê explicações sobre ter dito que ele se encontrou com Daniel Vorcaro em três oportunidades em que o ex-banqueiro esteve no Palácio do Planalto.
Na ação, ele cobra também que o deputado esclareça no que se baseia a sua insinuação de que Lula teria usado esses supostos encontros do chefe de gabinete com o Banco Master para, na verdade, o próprio presidente se reunir com Vorcaro. Ele ainda quer que Kim esclareça sobre ter sugerido que câmeras no Planalto seriam desligadas para reuniões secretas.
As declarações do deputado foram dadas em entrevista ao podcast "Inteligência LTDA" e também em sessão pública da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS.
Com exceção de um encontro já confirmado pela Presidência da República, ocorrido em 4 de dezembro de 2024, Lula e Marcola negam que tenham se reunido com Vorcaro em outras oportunidades.
Na interpelação judicial, o chefe de gabinete apresenta dados da agenda oficial do presidente e do chefe de gabinete.
"Nas outras três datas em que o ex-empresário [Vorcaro] esteve no Palácio do Planalto, entre os anos de 2023 e 2024, não houve encontro com o interpelante [Marcola], tampouco com o presidente da República [...]– ambos estavam em outras agendas devidamente publicadas nos canais oficiais de comunicação do Palácio do Planalto, em caráter oficial", diz a ação, que é assinada pelo advogado Roberto Piccelli.
Em 4 de dezembro de 2023, por exemplo, Lula e Marcola estariam inclusive fora de Brasília —o presidente na Alemanha, e o chefe de gabinete em palestra na Universidade Federal de São Carlos, no interior de São Paulo.
Já em 1º de março de 2024, outra data em que Vorcaro teria estado no Palácio do Planalto, Lula participava da 8ª Cúpula da Comunidade dos Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em São Vicente e Granadinas, segundo informações da agenda.
"Ainda que o sr. Daniel Bueno Vorcaro possa eventualmente ter estado nas dependências do Palácio do Planalto –que abriga diversos outros órgãos além da Presidência da República e do Gabinete Pessoal– nas datas registradas na portaria, não há nenhum indicativo de que tenha comparecido a um encontro com o interpelante [Marcola]", afirma outro trecho da ação.
Nas falas de Kim ditas ao podcast, ele também insinua que, quando Lula quer uma reunião com alguém que não conste na agenda, pede para ser marcada com Marcola e "desliga as câmeras do Palácio" —informação negada pelo chefe de gabinete e pelo presidente.
Na interpelação judicial, Marcola cobra explicações do deputado sobre essa insinuação e o questiona se ele tomou alguma providência para apurar esse tipo de conduta, já que configuraria crime o desligamento intencional de câmeras.
O advogado de Marcola destaca também que jurisprudência do STF (Supremo Tribunal Federal) já mostrou que o fato de Kim ter imunidade parlamentar não o livra de ser responsabilizado pela disseminação dolosa de informações.
Procurado pela coluna, Kim disse que recebeu as informações de parlamentares da base do governo e que não é obrigado a expor essas pessoas "em razão de direito que me é garantido pela Constituição (art. 53, § 6º), livrinho clássico que Marcola deveria ler."
"Não posso deixar de dizer que chama a atenção é ver que o Marcola está com tempo livre para encher o saco de deputado de oposição com ação judicial inútil. Talvez não ter mais um banqueiro corrupto pra servir cafezinho esteja deixando esse chaveirinho do Lula com muito tempo livre", acrescentou ele.
