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Pela 1ª vez desde início da Guerra da Ucrânia, EUA retiram sanções contra petróleo da Rússia
Pela 1ª vez desde início da Guerra da Ucrânia, EUA retiram sanções contra petróleo da Rússia
Secretário do Tesouro diz que medida 'não irá proporcionar benefício financeiro significativo' ao governo russo
Por Igor Gielow/Folhapress
12/03/2026 às 22:00
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos EUA, Donald Trump
Os Estados Unidos emitiram nesta quinta-feira (12) uma licença temporária que permite a venda de petróleo bruto e derivados de petróleo da Rússia carregados em navios até 11 de abril, de acordo com o site do Departamento do Tesouro.
É a primeira vez que Washington suspende sanções contra a Rússia desde o início da Guerra da Ucrânia, em fevereiro de 2022, quando Moscou invadiu o país vizinho.
Desde março de 2022, os EUA proibiram a compra de petróleo russo por empresas americanas, mas isso era algo ínfimo. A principal restrição ao produto ocorreu no fim daquele ano, quando a União Europeia passou a coibir a importação, que respondia por cerca de 20% do que o bloco consumia.
Houve restrições adicionais, como limites ao preço pago por barril de petróleo russo a outros mercados, mas o golpe de fato mais duro que os EUA deram em Moscou foi em outubro passado, quando Trump determinou sanções a quaisquer negócios com as duas maiores petroleiras russas, a estatal Rosneft e a privada Lukoil. Isso afetou a exportação da commodity, que caiu nos meses seguintes.
O temor das sanções secundárias afetou empresas de transporte de petróleo e derivados e importadores diretos, como a Índia.
O país asiático, segundo maior destino do produto no pós-guerra depois da China, também havia feito um acordo para não mais comprar o óleo russo com Trump, mas na semana passada os EUA suspenderam o veto por 30 dias, para evitar mais caos decorrente da guerra no Oriente Médio.
A licença é emitida um dia após o Departamento de Energia dos EUA anunciar que o país liberaria 172 milhões de barris de petróleo da reserva estratégica de petróleo em um esforço para conter a disparada dos preços.
Scott Bessent, secretário do Tesouro, afirmou que a medida "de curto prazo" se aplica apenas para petróleo já em trânsito e "não proporcionará benefício financeiro significativo ao governo russo".
O anúncio também ocorre após mais um dia de forte alta nos preços do petróleo. Os preços da commodity voltaram a subir nesta quinta-feira (12) e encerraram a sessão cotados acima de US$ 100 pela primeira vez desde 2022, após nova onda de ataques contra as infraestruturas petrolíferas dos países do golfo Pérsico.
O barril Brent, referência internacional, chegou a reduzir a alta de preço ao longo do dia, mas fechou acima dos três dígitos, cotado a US$ 101,75, uma alta diária de 10,6%. Nesta semana, o petróleo chegou a bater US$ 119,46 na segunda-feira (9), mas recuou abaixo dos US$ 100 na mesma sessão.
O aumento ocorre mesmo após a AIE (Agência Internacional de Energia) ter aprovado a liberação de 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas, o maior movimento na sua história. Apesar disso, os navios-petroleiros continuam evitando a passagem pelo estreito de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e gás.
O Secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, disse à CNBC nesta quinta que a Marinha dos EUA não poderia escoltar navios pelo estreito no momento, mas era "bastante provável" que isso pudesse acontecer até o final do mês. Wright também disse ser improvável que os preços globais do petróleo atinjam US$ 200 por barril, mesmo com o Irã continuando a atacar navios.
