Delação de Vorcaro é vista com ceticismo em setores do Judiciário em Brasília
Por Mônica Bergamo/Folhapress
02/04/2026 às 09:04
Foto: Divulgação/Arquivo
Daniel Vorcaro
A possibilidade de Daniel Vorcaro fechar um acordo de delação premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) e a PF (Polícia Federal) gera ceticismo em setores do Judiciário em Brasília.
Apesar da grande expectativa de advogados, jornalistas, políticos e integrantes de Cortes superiores em torno dela, magistrados afirmam não acreditar que Vorcaro conseguirá convencer facilmente as autoridades envolvidas a aceitarem os termos de sua colaboração.
Eles dizem que o banqueiro, para ganhar a liberdade, como pretende, será demandado a pagar valores bilionários, pelos prejuízos causados, que talvez não consiga desembolsar.
Como mostrou a coluna, a discussão financeira é sempre um momento delicado das negociações. Delações da época da Lava Jato empacaram invariavelmente quando se chegava no montante a ser desembolsado pelos colaboradores.
Um advogado com experiência em negociações afirma que um dos instrumentos que a PGR tem para simplesmente interditar a delação é "encrencar no preço" —hipótese que não estaria descartada no caso.
Ministros afirmam também que dar à PGR e à PF informações que apenas complementem o que os dois órgãos já sabem não será suficiente para que se chegue a um acordo que preveja, ao final, a liberdade do ex-banqueiro.
Pessoas familiarizadas com as negociações afirmam, no entanto, que Vorcaro tem coisas para contar que jamais poderiam ser obtidas pelos investigadores, com dados sólidos e comprovados que não poderão ser desprezados por eles.
