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Dólar fecha acima dos R$ 5 com aumento das tensões no Oriente Médio; Bolsa recua 0,78%

Dólar fecha acima dos R$ 5 com aumento das tensões no Oriente Médio; Bolsa recua 0,78%

Suspeita de novos ataques e bloqueios ao tráfego no estreito de Hormuz impulsionam valorização da moeda norte-americana

Por Folhapress

23/04/2026 às 18:00

Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil/Arquivo

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Cenário de instabilidade leva dólar a encerrar o pregão acima dos R$ 5 pela primeira vez desde 10 de abril

O dólar voltou a fechar acima dos R$ 5 nesta quinta-feira (23), encerrando o dia com alta de 0,59%, a R$ 5,003, à medida que as tensões entre EUA e Irã aprofundaram a cautela dos investidores.

A última vez que a moeda norte-americana havia fechado acima desse patamar foi em 10 de abril, quase duas semanas atrás.

O pregão desta quinta foi volátil, com a alta do petróleo fortalecendo o real durante boa parte do dia. Esse movimento levou o dólar à mínima de R$ 4,940, em queda de 0,67%. Durante a tarde, contudo, houve reversão do otimismo, com o aumento das tensões no Oriente Médio impulsionando a busca por ativos de segurança, como o dólar.

Impactada pelo cenário de maior aversão ao risco, a Bolsa brasileira recuou 0,78%, a 191.378 pontos.

Nesta quinta-feira, as tensões entre EUA e Irã voltaram a aumentar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou não sentir pressão para encerrar a guerra com o Irã, mas advertiu que "o relógio está correndo" para Teerã.

Trump também disse ter ordenado que a Marinha norte-americana "atire e mate" qualquer barco iraniano colocando minas no estreito de Hormuz. "Nós temos total controle de Hormuz", afirmou.

Por parte de Teerã, meios de comunicação iranianos relataram nesta quinta que explosões foram ouvidas na capital do Irã. A agência estatal de notícias Irna afirmou que "foram ouvidos disparos da defesa antiaérea" no oeste de Teerã. A agência Mehr indicou que os sistemas foram ativados contra "alvos hostis".

Uma fonte israelense, contudo, declarou à AFP que o exército de seu país não foi responsável pelas supostas ofensivas.

Teerã e Washington têm bloqueado o tráfego marítimo de Hormuz, por onde passa 20% da produção mundial de petróleo e GNL (gás natural liquefeito). Na quarta-feira (22), a Guarda Revolucionária do Irã, divisão das Forças Armadas de Teerã, anunciou que reteve dois navios-petroleiros que tentaram atravessar o estreito sem a sua autorização.

Nesta quinta, os EUA pararam e abordaram um navio com petróleo iraniano no oceano Índico. Até a véspera, o Pentágono havia dito ter impedido o trânsito de 31 navios desde o início do embargo, na segunda retrasada (13).

As tensões refletiram em uma maior aversão ao risco nos mercados globais. O petróleo sobe nesta quinta-feira, com o barril Brent, referência mundial, avançando 3,94%, a US$ 105,93 às 17h. Na máxima, o barril Brent, referência mundial, chegou a alcançar US$ 107,37, na maior cotação desde 7 de abril.

As Bolsas recuaram no exterior. Nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones caíram 0,53%, 0,89% e 0,36%, respectivamente. Na Europa, o índice Euro Stoxx 50, referência do continente, fechou em queda de 0,19%.

No Brasil, o anúncio do cessar-fogo temporário fez com que a Bolsa se aproximasse do patamar de 200 mil pontos. A falta de maiores avanços no cenário geopolítico ao longo das últimas semanas, contudo, fez com que o mercado acionário brasileiro recuasse —movimento que foi intensificado com as tensões desta tarde.

Para o Itaú BBA, as baixas recentes se justificam pela realização de lucros no Ibovespa, ou seja, investidores aproveitando as altas recentes para vender ações e embolsar ganhos. Segundo o banco, as perspectivas de avanço em um acordo entre Estados Unidos e Irã seguem cercadas de incertezas.

"Isso indica que ainda falta um impulso adicional para que o mercado, como um todo, se sinta mais confortável para sustentar novas altas", afirma em diário do grafista nesta quinta.

A Ágora Investimentos também destaca um processo de correção. "Apesar do ajuste mais intenso, a leitura ainda se encaixa como correção dentro de uma tendência de alta".

A percepção é de que, apesar de Trump ter anunciado a prorrogação do cessar-fogo, os canais de negociação entre EUA e Irã continuam travados.

O republicano anunciou na terça-feira (21) a extensão da trégua entre os países. O norte-americano não estabeleceu um novo prazo como limite, afirmando apenas que a trégua será estendida até que o Irã apresente uma proposta.

Entretanto, a segunda rodada de negociações entre Irã e EUA em Islamabad, capital do Paquistão, continua em suspenso, após autoridades iranianas não confirmarem participação. A comitiva dos EUA é liderada pelo vice-presidente dos EUA, J.D. Vance —que participou das conversas entre os países no início de abril, que terminaram sem acordo.

O Irã se nega a participar das negociações enquanto os EUA mantiverem o bloqueio sobre o trânsito de navios iranianos no estreito de Hormuz —Teerã considera a medida uma violação do cessar-fogo.

Como exportador de petróleo, o Brasil se beneficia com alta do petróleo, tanto via fluxo de estrangeiros quanto pela balança comercial. O movimento de busca global por proteção, contudo, tende a pressionar os ativos domésticos.

"O tom predominante foi de cautela, já que a percepção geral é de que o impasse no Oriente Médio segue longe de uma resolução definitiva. A leitura do dia é clara: enquanto não houver sinal concreto de distensão entre EUA e Irã e normalização do fluxo em Hormuz, o mercado tende a continuar alternando entre alívio e proteção", diz Marcos Praça, diretor de análise da Zero Markets Brasil.

Cristiane Quartaroli, economista-chefe do Ouribank, diz ver reversão do avanço do real frente ao dólar relacionada às incertezas da guerra. "Ainda não está claro se o cessar-fogo vai se manter, se haverá continuidade nas negociações ou se podemos ver uma resolução mais próxima do conflito".

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