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Israel abre negociações por paz com o Líbano; Hezbollah rejeita

Israel abre negociações por paz com o Líbano; Hezbollah rejeita

Netanyahu afirma que aceitou pedido do governo em Beirute e que objetivo é desarmar o grupo pró-Irã

Por Igor Gielow/Folhapress

09/04/2026 às 17:00

Foto: Reprodução/Instagram

Imagem de Israel abre negociações por paz com o Líbano; Hezbollah rejeita

Binyamin Netanyahu e Donald Trump

Sob pressão dos Estados Unidos para não descarrilar o processo de paz que ainda nem começou com o Irã, o governo de Israel anunciou nesta quinta-feira (9) que vai abrir negociações para estabelecer relações com o Líbano.

"À luz dos repetidos pedidos do Líbano, eu instruí o gabinete ontem a começar negociações diretas o mais rapidamente possível. Elas vão focar em desarmar o Hezbollah e estabelecer relações pacíficas entre Israel e o Líbano", disse em nota o premiê Binyamin Netanyahu.

Como seria óbvio, por não estar envolvido na equação como par, o Hezbollah anunciou em um comunicado que rejeita as negociações.

Com isso, o único parceiro de Donald Trump na guerra de cinco semanas paralisada na terça (7), para uma trégua visando negociações, atende uma demanda da Casa Branca. "Eu falei com Bibi [apelido do premiê] e ele está pegando mais leve. Eu acho que nós temos de ser um pouco mais comedidos", disse o presidente à rede NBC.

Tanto Washington quanto Tel Aviv afirmam que a luta contra o Hezbollah não está coberta no cessar-fogo e terça, mas isso fez com que o Irã ameaçasse romper a trégua.

Em um comunicado à noite, Netanyahu afirmou que "não há um cessar-fogo com o Líbano", pouco antes de atacar posições de lançadores de foguetes —o Hezbollah seguiu disparando projéteis e drones contra o Estado judeu nesta quinta. O presidente libanês, Joseph Aoun, postou um pedido por trégua como "única solução" para a crise.

Já uma autoridade libanesa que conversou com a agência Reuters diz que o governo quer que os EUA sejam os garantidores do processo. Segundo o site americano Axios, a primeira reunião pode ocorrer já na próxima semana.

O governo libanês é o elo mais fraco nessa corrente, com força militar inferior à do Hezbollah. O grupo também é um partido político importante no Parlamento e tem grande capilaridade social quanto mais ao sul do Líbano se vai.

A pressão cresceu justamente no primeiro dia do acordo, na quarta (8), quando Netanyahu promoveu o maior ataque do atual conflito contra Beirute e outros pontos do vizinho. Ao menos 303 pessoas morreram, o maior número até aqui na guerra que matou cerca de 1.400 libaneses.

Em resposta aos ataques israelenses, os iranianos reforçaram sua posição de controlar o estratégico estreito de Hormuz, que Trump quer ver reaberto para os 20% do petróleo e gás natural liquefeito que costumavam escoar por ali, e atacaram vizinhos árabes no golfo Pérsico.

Nesta quinta, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, reafirmou que as negociações de paz marcadas para começar no sábado (11) no Paquistão não terão sentido se os ataques ao Líbano continuarem.

Os ataques foram condenados pela União Europeia e pela China, aliada do Irã. A chefe da diplomacia do bloco europeu, a estoniana Kaja Kallas, chamou de inaceitável a ação de Israel e pediu que o cessar-fogo seja estendido imediatamente ao Líbano.

Ao mesmo tempo, após realizar bombardeios pela manhã a vários pontos do vizinho, as Forças de Defesa de Israel emitiram um alerta para que a população dos subúrbios dominados pelo Hezbollah no sul da capital libanesa deixasse a região. Eles ainda não vieram, sendo concentrados nas posições do grupo ao sul.

"Depois do horror de ontem [quarta], achei que ia parar um pouco. É um pesadelo diário, um prédio inteiro a dois quarteirões da minha casa foi ao chão. Não apoio o Hezbollah, mas não é certo punir o país todo", disse por telefone o professor de literatura Michel Najm, que é cristão maronita e mora na região central da capital.

Najm conta que já deixou Beirute três vezes nas últimas semanas. O anúncio de Netanyahu ocorreu após seu contato com a reportagem, mas ele dizia não acreditar em paz rápida.

"A ocupação do sul do Líbano pelos israelenses é um fato. Da última vez, durou 18 anos", afirmou, em referência à invasão terrestre em curso para criar uma área tampão entre a região e o Estado judeu. "Duvido que o governo esteja em condições de negociar isso", completou.

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