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Rede reage a críticas de Marina Silva e afirma que “partido é guiado pela maioria”
Rede reage a críticas de Marina Silva e afirma que “partido é guiado pela maioria”
Por Redação
06/04/2026 às 18:15
Atualizado em 06/04/2026 às 18:19
Foto: Divulgação/Arquivo
O porta-voz nacional da Rede, Paulo Lamac, e a deputada federal Heloísa Helena
A direção nacional da Rede Sustentabilidade divulgou, no domingo (5), uma nota pública em resposta às declarações da deputada federal Marina Silva, ao reafirmar a legitimidade da atual direção partidária e rebatendo críticas sobre supostos desvios dos princípios fundacionais da legenda.
No texto, a cúpula do partido afirma ter recebido “com imensa decepção” a manifestação da parlamentar sobre sua permanência na sigla, destacando que “em nenhum momento qualquer instância ou liderança da Rede questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento”.
A direção também rejeita a narrativa de enfraquecimento interno e sustenta que os princípios do partido seguem preservados. “Esses valores não estão sob ameaça. Pelo contrário, são reafirmados diariamente pela direção eleita com 76% dos votos dos delegados no 5º Congresso Nacional”, diz a nota.
O documento relembra divergências históricas com Marina Silva, citando episódios como o apoio a Aécio Neves em disputa contra Dilma Rousseff à Presidência da República e o posicionamento favorável ao impeachment da ex-presidente. Segundo a Rede, essas decisões ocorreram “contra a vontade do partido”.
A atual direção acusa ainda o grupo ligado à deputada de recorrer de forma excessiva ao Judiciário. “A judicialização sistemática [...] caracteriza lawfare — o uso estratégico e abusivo do sistema judiciário como arma para perseguir, desgastar e eliminar inimigos políticos”, afirma o texto. A legenda também contesta a alegação de que o congresso partidário teria sido anulado, classificando-a como “não correspondente aos fatos”.
No texto, a Rede também reforça o convite ao diálogo interno. “Convidamos a militância que hoje diverge, incluindo a deputada Marina Silva, a participar da construção partidária pelas vias estatutárias, com debate franco, mas leal”.
Por fim, a nota afirma que a Rede não é de ninguém em particular. “É de seus filiados e de seu projeto coletivo. Continuaremos construindo-a como espaço de pluralismo real, enraizado na maioria que se manifestou democraticamente em seu Congresso Nacional”.
Leia abaixo a íntegra da nota da Rede Sustentabilidade:
Nota da Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
A Direção Nacional da REDE Sustentabilidade recebeu com imensa decepção a nota pública da deputada e ex-ministra Marina Silva em que ela anuncia sua "permanência" no partido que ajudou a fundar. Em nenhum momento qualquer instância ou liderança da REDE questionou sua filiação ou sugeriu seu desligamento.
A REDE foi fundada com base em princípios claros: democracia radical, participação cidadã, pluralismo, justiça social e sustentabilidade. Esses valores não estão sob ameaça. Pelo contrário, são reafirmados diariamente pela direção eleita com 76% dos votos dos delegados no 5º Congresso Nacional, que expressou a vontade majoritária da militância organizada de todo o país. O respeito às divergências sempre foram respeitados. inclusive no momento de maior crise da REDE, quando Marina Silva, contra a vontade do partido, decidiu apoiar Aécio Neves no segundo turno de 2010 — contra Dilma Rousseff — e, a seguir, quando de seu apoio, também contra a vontade da maioria, ao impeachment da ex-presidente, ato que abriu o ciclo de ascenso da extrema-direita no país. Naquele triste capítulo da história brasileira, a REDE perdeu grandes lideranças.
Lamentamos que a deputada continue insistindo em narrar uma suposta “subtração antidemocrática” de valores fundacionais, quando a própria presença de seu grupo - minoritário - em todas as instâncias de direção, comprova o contrário. A saída de mandatários eleitos pela Rede, integrantes do grupo de Marina e que desertaram de nossas fileiras, sendo escolha pessoal ou decisão fracional, não resultou de qualquer expulsão, sanção ou perseguição. Democracia interna não é o direito da minoria de paralisar o partido ou bloquear judicialmente suas contas, quando não obtém maioria nas urnas de um congresso. É, acima de tudo, o dever de todos, de acatar a decisão coletiva.
A judicialização sistemática promovida pelo grupo Rede Vive caracteriza lawfare — o uso estratégico e abusivo do sistema judiciário como arma para perseguir, desgastar e eliminar inimigos políticos. Respeitamos o Poder Judiciário, mas não podemos aceitar a tentativa de substituir a soberania dos congressos partidários por supostas decisões judiciais obtidas em ações sucessivas. A afirmação de que “a Justiça anulou o 5º Congresso Nacional” não corresponde aos fatos. Houve liminares pontuais, todas com recurso em trânsito por se basearem em alegações falsas. A grande maioria das ações propostas pelo grupo de Marina Silva - 254 ao todo - tem sido rejeitada ou não produziu o efeito paralisante pretendido. O Congresso Nacional da Rede foi realizado com ampla participação de delegados de todo o Brasil e sua legitimidade deriva, em primeiro lugar, da vontade expressa pelos filiados.
A atual direção, democraticamente eleita, composta por Paulo Lamac, Heloísa Helena, Bruna Paola, Pedro Ivo, Sila Mesquita, Adilson Vieira, Alice Gabino, Laís Garcia, Cristiana Almeida, Marcelo Carvalho, Wesley Diógenes e tantos outros que constroem o partido de baixo para cima, foi responsável por grandes avanços institucionais e pelo crescimento do partido. Ela tem feito exatamente o que o estatuto e o programa exigem: posicionar a REDE de forma clara e principista no campo democrático-popular.
Apoiamos o Presidente Lula desde o primeiro turno em 2024, integramos a federação com o PSOL, dialogamos de forma leal e republicana com PT, PSB, PDT, PV, PCdoB e todos os setores que resistem ao retrocesso autoritário e ao negacionismo e construímos um partido ecossocialista e de combate no campo democrático.
A REDE saiu das últimas disputas eleitorais mais fortalecida, com maior presença geográfica, crescimento de filiados e maior enraizamento junto aos movimentos sociais. Esse avanço é resultado de um trabalho sério e comprometido, que se reflete também na chegada de importantes lideranças, como Luizianne Lins e André Janones, fortalecendo ainda mais o projeto coletivo do partido.
Reafirmamos que a REDE tem lugar para todos que se identifiquem com seu manifesto e programa. Convidamos a militância que hoje diverge, incluindo a deputada Marina Silva, a participar da construção partidária pelas vias estatutárias, com debate franco, mas leal. O “bom combate da democracia” não se faz enfraquecendo as instâncias eleitas nem criando embaraços permanentes ao funcionamento do partido. Todos são bem-vindos no fortalecimento de nossa tática eleitoral para superar a cláusula de barreira.
Seguimos inteiramente comprometidos com a reeleição do Presidente Lula, com a vitória de Fernando Haddad em São Paulo e com o fortalecimento do campo que defende a democracia, a justiça social, o combate à crise climática e a soberania nacional.
A REDE Sustentabilidade não é de ninguém em particular. É de seus filiados e de seu projeto coletivo. Continuaremos construindo-a como espaço de pluralismo real, enraizado na maioria que se manifestou democraticamente em seu Congresso Nacional.
Direção Nacional da REDE Sustentabilidade
São Paulo/SP, 5 de abril de 2026.
