Trump anuncia três semanas de cessar-fogo entre Líbano e Israel
Presidente diz que ajudará Beirute a se proteger do Hezbollah e que espera receber encontro de Netanyahu e Aoun
Por Guilherme Botacini/Folhapress
23/04/2026 às 20:30
Foto: Reprodução/Instagram
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a extensão por três semanas do cessar-fogo entre Israel e Líbano após a segunda reunião entre enviados dos dois países em Washington.
Ele afirmou nesta quinta-feira (23) que os EUA vão trabalhar com o Líbano para ajudar o país a "se proteger do Hezbollah" e que espera reunir o premiê israelense, Binyamin Netanyahu, e o presidente libanês, Joseph Aoun, "em um futuro breve".
O encontro desta quinta mudou do Departamento de Estado para a Casa Branca e teve a presença do presidente americano, do vice-presidente, J. D. Vance, do secretário de Estado, Marco Rubio, e dos embaixadores dos EUA em Israel e Líbano, além dos embaixadores dos dois países em Washington.
A reunião ocorreu um dia após ataques israelenses contra o vizinho matarem pelo menos cinco pessoas a despeito da trégua —a quarta-feira (22) foi o dia mais mortal no Líbano desde o início do cessar-fogo em 16 de abril. Entre os mortos na ofensiva está a jornalista libanesa Amal Khalil, segundo autoridades libanesas e o jornal Al-Akhbar, onde ela trabalhava.
O cessar-fogo mediado pelos EUA, que estava previsto para expirar no domingo (26), resultou em uma redução significativa da violência, mas os ataques continuaram, em particular no sul do Líbano, onde tropas israelenses permanecem posicionadas em uma faixa de território libanês de 5 a 10 km ao longo de toda a fronteira.
O Hezbollah, facção extremista apoiada pelo Irã, afirma ter "direito de resistir" à ocupação. Já o Exército israelense reiterou um aviso aos moradores do sul do Líbano para não entrarem na área.
Aoun, o presidente libanês, afirmou que a enviada de Beirute para as negociações desta quinta buscaria a extensão do cessar-fogo e o fim das demolições realizadas por Israel em vilarejos do sul. O país árabe foi representado pela embaixadora libanesa nos EUA, Nada Moawad.
Aoun citou a morte da jornalista Khalil e afirmou que o "ataque deliberado e recorrente" de Israel contra profissionais de imprensa tem como objetivo "ocultar a verdade sobre seus atos agressivos contra o Líbano". Ele classificou o episódio de "crime descarado" que violou as "regras mais básicas" do direito internacional.
Hassan Fadlallah, parlamentar do Hezbollah, disse a jornalistas que cumprir a trégua implica "interromper assassinatos, cessar completamente os ataques e parar a destruição de vilarejos". Segundo ele, a retirada israelense deve ocorrer por meio de medidas conduzidas pelo Estado libanês, sem negociações diretas.
Um funcionário libanês afirmou ainda que o país queria primeiro estender o cessar-fogo para então avançar nas negociações, incluindo a retirada de Israel, a libertação de libaneses detidos e a definição da fronteira terrestre. Tel Aviv afirma que seus objetivos nas negociações com o Líbano incluem garantir o desmantelamento do Hezbollah e criar condições para um acordo de paz.
Israel tem buscado alinhar-se ao governo libanês em relação ao Hezbollah, que Beirute tenta desarmar pacificamente há um ano. A complexidade do processo reflete a política sectária do Líbano, na qual a facção xiita é também um partido com representação no Parlamento e em cargos no governo, além de organização social de profunda capilaridade, em particular entre a população muçulmana xiita do país.
Washington nega ligação entre a mediação no Líbano e as negociações sobre a guerra com o Irã. Já o Hezbollah diz que a trégua é resultado da pressão iraniana, não da atuação americana.
O Líbano foi arrastado para o conflito após o Hezbollah atacar Israel em 2 de março, em apoio ao Irã. O país persa, por sua vez, havia sido atacado por Washington e Tel Aviv em 28 de março, o que desencadeou um conflito que se espalhou pelo Oriente Médio.
O cessar-fogo no Líbano foi negociado separadamente das tentativas de Washington de resolver o conflito com Teerã, embora o Irã tenha defendido a inclusão do país árabe em uma trégua mais ampla enquanto negocia acordo para encerrar a guerra com os EUA.
Na quarta, o Hezbollah disse ter realizado quatro operações no sul do Líbano em resposta aos ataques israelenses. Quase 2.500 pessoas foram mortas no Líbano desde que Israel iniciou sua ofensiva após o ataque do Hezbollah em 2 de março, segundo autoridades libanesas.
