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Alcolumbre afirma ao governo que não deve criar problema para aprovar o fim da escala 6x1
Alcolumbre afirma ao governo que não deve criar problema para aprovar o fim da escala 6x1
Presidente do Senado teria o compromisso de não prejudicar sua própria base no Senado, que vê na proposta um trunfo eleitoral
Por Mônica Bergamo/Folhapress
26/05/2026 às 17:00
Atualizado em 26/05/2026 às 19:16
Foto: Andressa Anholete/Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou ao governo que não deve criar problema para a aprovação do projeto que termina com a escala de trabalho 6x1 (seis dias trabalhados para um de folga) e reduz a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais.
Havia temor no governo, já que Alcolumbre entrou em embate direto com o governo Lula no mês passado ao liderar a votação que derrotou o presidente na indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o STF (Supremo Tribunal Federal).
De acordo com uma autoridade de Brasília que mantém interlocução direta com o senador, a aprovação da nova escala, de 5x2 (cinco dias trabalhados para dois de folga), está garantida, se depender de Alcolumbre.
Segundo o mesmo interlocutor, o presidente do Senado não criaria problemas que atrapalhariam a base de parlamentares que o apoiam, e que desejam aprovar o projeto por ver nele uma poderosa bandeira eleitoral para o pleito de outubro.
O líder do MDB, Eduardo Braga, que é da base do governo, confirma a informação.
O emedebista diz que Alcolumbre conversou tanto com o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães (PT-CE), quanto com ele próprio sobre a tramitação do projeto.
"Se chegou ao entendimento de que temas prioritários do país serão votados. É uma pauta que inclui seis itens, como o fim da escala 6x1, a regulação da exploração de terras raras e a PEC da Segurança", diz Braga.
Alcolumbre afirmou que dará andamento ao projeto no Senado assim que a proposta for aprovada pela Câmara dos Deputados.
De acordo com o mesmo interlocutor, o assunto está resolvido, apesar das arestas ainda não aparadas entre Lula e ele.
O temor de alguns governistas ainda é que Alcolumbre atrapalhe o andamento da proposta, mesmo diante do apelo popular ao fim da escala 6x1. O senador não concorre à reeleição neste ano e poderia "matar no peito" e travar a PEC, assim como travou a instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) mista do banco Master.
Apesar das sinalizações, o governo considera imprevisível a forma como Alcolumbre lidará com o texto.
Alcolumbre abriu espaço na agenda desta terça (26) para receber empresários da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de SP) e de outros setores que defendem uma transição mais longa para o fim da escala 6x1.
Eles foram pegos de surpresa com a transição de apenas um ano anunciada pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta segunda-feira (25).
A percepção é de que não há mais espaço para negociar mudanças na Câmara. A estratégia agora é negociar com o Senado Federal para alongar esse prazo ou tentar segurar o debate para depois da eleição, para que os parlamentares estejam menos suscetíveis a pressões dos eleitores e do governo.
Leia também: Oposição vai a Alcolumbre para tentar frear 6x1 no Senado
