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Brasil abre 85 mil vagas de trabalho formal em abril, pior resultado desde 2020, diz Caged

Brasil abre 85 mil vagas de trabalho formal em abril, pior resultado desde 2020, diz Caged

No mês, foram 2,2 milhões de contratações e 2,1 milhões de desligamentos

Por Luany Galdeano/Folhapress

28/05/2026 às 18:30

Atualizado em 28/05/2026 às 18:27

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Brasil abre 85 mil vagas de trabalho formal em abril, pior resultado desde 2020, diz Caged

Carteira de trabalho digital

A economia brasileira abriu 85,8 mil vagas de trabalho formal em abril, de acordo com dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgados nesta quinta-feira (28) pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). É o pior resultado para o mês desde 2020, ano do início da pandemia.

Em abril, o país teve 2,2 milhões de contratações e 2,1 milhões de demissões. O resultado está abaixo do registrado no mesmo mês do ano passado, quando o saldo positivo foi de 227 mil. Em relação a abril de 2025, houve uma queda de 2,4% no total de admissões e um aumento de 4,6% no número de desligamentos.

No acumulado de janeiro até agora, 699 mil empregos formais foram criados, menos do que no mesmo período do ano passado, quando o saldo foi de 913 mil. Já no acumulado dos últimos doze meses, o saldo foi de mais 1 milhões de empregos, um aumento de 2,3% no período.

Segundo Luiz Marinho, ministro do Trabalho, a queda no número de empregos neste mês é resultado do impacto da alta dos juros e os efeitos da guerra no Irã. Hoje, a Selic está em 14,5% ao ano.

'Nesse exato momento, o calendário está impactado também pelos efeitos da guerra. A conjunção desses fatores soma efeito negativo para economia. Não vejo motivo de desespero, é um crescimento contido. Me preocuparia muito se houvesse impacto negativo na indústria", disse nesta quinta-feira.

O setor com maior número absoluto de novas vagas foi o de serviços, com 69 mil postos formais, seguido pelo setor de construção, com mais 23 mil, e indústria, com 9.256.

No setor de serviços, com melhor resultado, houve alta no segmento de saúde humana, com mais 18 mil postos, seguido pelo de transporte, que teve aumento de 12 mil.

Já comércio e agropecuária registraram saldo negativo, com menos 8.114 e menos 8.378 postos formais de trabalho em abril, respectivamente. A queda no comércio ocorreu devido a uma redução de admissões nos ramos varejista e atacado. Já no agro, a baixa foi impulsionada pela diminuição dos cultivos de soja, maçã e laranja.

De acordo com Paula Montagner, subsecretária de estatísticas e estudos do Trabalho do MTE, o saldo negativo do comércio também tem relação com a alta de endividamento dos brasileiros. A alta de inadimplência levou o governo a lançar o Novo Desenrola, para renegociar dívidas.

"Temos conjunto grande de pessoas que está com endividamento. Não é a toa que o Desenrola foi absorvido tão rapidamente no processo", afirmou.

Por estado, as maiores altas foram no Acre, onde houve aumento de 0,9% no total de empregos formais, seguido por Amapá e Distrito Federal, com 0,8% e 0,4%, respectivamente.

No acumulado de janeiro a abril, o setor de comércio foi o único que registrou saldo negativo, com menos 26 mil postos formais no período –puxado pela queda no ramo de vestuário e de calçados.

Neste período, as maiores variações foram para Goiás, com aumento de 2,8% no total de postos formais, seguido pelo Amapá, com alta de 2,6%, e de Santa Catarina, com 2,5%. Alagoas teve a maior queda também no acumulado, com menos 2,69% postos formais.

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