Juízas pedem a Lula indicação de mulher ao STF para vaga perdida por Messias
Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário diz que presidente ganha nova chance de diminuir desigualdade de gênero
Por Thaísa Oliveira/Folhapress
01/05/2026 às 19:40
Foto: Gustavo Moreno/STF/Arquivo
Cármen Lúcia é a única mulher entre os outros 10 ministros do STF
Com a derrota de Jorge Messias, o Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário, grupo que reúne 524 juízes, divulgou um manifesto em que defende que o presidente Lula (PT) indique uma mulher, de preferência negra, ao STF (Supremo Tribunal Federal).
No texto, os magistrados afirmam que o presidente agora tem uma nova oportunidade de promover uma reparação histórica e ressaltam que hoje só há uma mulher entre os 10 ministros da mais alta corte do país: Cármen Lúcia.
"É importante destacar que, apesar de as mulheres representarem mais da metade da população brasileira, sua presença nos cargos mais elevados do Judiciário ainda é extremamente reduzida", diz trecho do manifesto.
"Essa disparidade é agravada quando falamos de mulheres negras, que ainda não alcançaram qualquer posição nos tribunais superiores, evidenciando a necessidade urgente de uma política de nomeações mais inclusiva".
Com a rejeição ao nome de Messias, Lula pode fazer uma nova indicação para a vaga aberta com a saída do ministro Luís Roberto Barroso. Apesar disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), prometeu à oposição que a escolha caberá a quem vencer as eleições, em outubro.
Auxiliares de Lula dizem que a decisão ainda não está tomada. Uma ala do governo defende deixar a cadeira vaga para evitar uma nova derrota em ano eleitoral, enquanto outra sugere indicar um nome cuja recusa possa constranger o Senado, como o de uma mulher negra.
Manifesto pela indicação de uma mulher ao Supremo Tribunal Federal
O Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário, composto por magistradas e magistrados de todos os segmentos, vem a público expressar sua posição acerca da nova indicação, pelo Presidente Lula, de nome de pessoa para o preenchimento de vaga que permanece aberta junto ao Supremo Tribunal Federal.
Abre-se nova oportunidade ao Presidente Lula de promover reparo histórico e indicar, desta vez, o nome de uma mulher, preferencialmente negra, para ocupar uma das cadeiras de Ministra do STF. É importante destacar que, apesar de as mulheres representarem mais da metade da população brasileira, sua presença nos cargos mais elevados do Judiciário ainda é extremamente reduzida. Atualmente, apenas a Ministra Carmen Lúcia ocupa tal cargo no mais importante Tribunal do País, o que coloca o Brasil em número aquém da média global e contribui para uma média das mais baixas da América Latina e Caribe no que se refere à participação feminina em tribunais superiores. Essa disparidade é agravada quando falamos de mulheres negras, que ainda não alcançaram qualquer posição nos tribunais superiores, evidenciando a necessidade urgente de uma política de nomeações mais inclusiva.
Mais do que representatividade, defendemos uma mudança estrutural: a inclusão de perspectivas diversas, experiências de vida plurais e vozes historicamente sub-representadas, fortalecendo a legitimidade do tribunal e contribuindo para uma Justiça verdadeiramente democrática. A construção de uma sociedade mais justa e igualitária depende diretamente de um Judiciário que represente, de forma equitativa, a diversidade da população brasileira.
Reconhecemos Vossa Excelência como um líder comprometido com a inclusão, os direitos humanos e a construção de um país mais igualitário. Assim, apelamos ao vosso compromisso histórico com a democracia e com a promoção da justiça social, solicitando que considere a indicação de uma mulher para a vaga atualmente aberta no Supremo Tribunal Federal. Esse gesto representará não apenas um avanço institucional, mas também uma mensagem às mulheres brasileiras, que o Brasil reconhece, valoriza e promove sua competência, sua história e sua voz.
O Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário continua sua luta para assegurar a paridade de gênero e raça em todas as esferas do Poder Judiciário. Nossa atuação, apartidária e plural, busca garantir que o espaço para mulheres, nas instâncias de poder seja ampliado, em consonância com os valores democráticos e os direitos fundamentais estabelecidos na Constituição.
Movimento Nacional pela Paridade no Judiciário
