Valdemar diz que PL descarta lançar Michelle ao Planalto
Presidente do PL afirma que visita do senador a Daniel Vorcaro após prisão foi para ver se 'conseguia o restante do dinheiro' e declara que dono do Master era 'enrolado, mas fazer o quê?'
Por Isadora Albernaz/Folhapress
25/05/2026 às 18:30
Atualizado em 25/05/2026 às 18:18
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/Arquivo
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25) que o partido não irá desistir da pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência e descartou lançar a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro na disputa ao Planalto, em meio à crise causada pela relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
"Não passa isso pela nossa cabeça [retirar a candidatura]. Ele é o candidato do [Jair] Bolsonaro e nós vamos até o fim nessa história. Ele vai ganhar as eleições. [É] O meu também. Total. A Michelle está fora de questão. Ela não é candidata", afirmou em entrevista à GloboNews.
Valdemar minimizou a visita de Flávio a Vorcaro após a primeira prisão do ex-banqueiro, no fim de 2025. O cacique afirmou que o encontro foi "a coisa mais normal do mundo" e ocorreu porque o senador queria "ver se conseguia o restante do dinheiro" para bancar o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como relevou o site The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro procurou Daniel Vorcaro para pedir dinheiro para financiar o longa-metragem "Dark Horse" (que significa "azarão"). Foram pagos ao menos R$ 61 milhões.
O presidente do PL ainda repetiu a justificativa apresentada por Flávio, de que o ex-banqueiro não era investigado quando começaram as negociações entre os dois. Segundo Valdemar, o dono do Master era "enrolado, mas fazer o quê?".
"O Vorcaro não tinha problema nenhum quando ele [Flávio] pediu dinheiro. Foi visitar depois para ver se conseguia o restante do dinheiro. Ele estava sendo investigado. Não foi condenado a nada. Está sendo investigado", disse Valdemar.
"Não temos dúvida de que ele [Vorcaro] passou dos limites e foi uma barbaridade o que o Vorcaro fez no país. Mas isso é normal. O que o Flávio fez foi a coisa mais normal do mundo. Visitar o Vorcaro também, porque o Vorcaro tinha ajudado ele. E ele queria terminar a relação com o Vorcaro. ‘Olha, vai me pagar? Você vai pagar o restante? Dá para pagar o restante ou não dá?’", completou.
A ex-primeira-dama tem tentado se manter longe da crise envolvendo Vorcaro e das especulações no PL de que poderia substituir Flávio caso o senador se torne inviável. A troca também é descartada por aliados do pré-candidato, que avaliam que o nome dele está consolidado.
Pesquisa do Datafolha divulgada na última sexta (22) mostra que o presidente Lula (PT) ampliou de 3 para 9 pontos a vantagem sobre Flávio na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival. No cenário do segundo turno, a igualdade em 45% virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.
Cogitada como um nome para substituir Flávio em caso de desistência, Michelle Bolsonaro tem desempenho semelhante ao do senador num hipotético confronto direto contra o atual presidente. Nesse, ela teria 43%, enquanto Lula marcaria 48%.
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