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Visto como netista na base petista, Bellintani recebe bênção de Lula para concorrer em 2020
Visto como netista na base petista, Bellintani recebe bênção de Lula para concorrer em 2020
Por Fernanda Chagas e Política Livre
15/11/2019 às 12:59
Atualizado em 15/11/2019 às 13:15
Foto: Fernanda Chagas / Política Livre / Arquivo

Além de ter citado ontem em Salvador o grito de guerra do Esporte Clube Bahia em seu discurso, no que muitos petistas viram como uma referência a Guilherme Bellintani, o ex-presidente Lula permitiu que levassem ao presidente da entidade a informação de que seu nome tem chances plenas de receber sua bênção para concorrer à Prefeitura de Salvador tanto no PT quanto em qualquer dos partidos da base aliada do governador petista Rui Costa.
Lula deixou claro à cúpula do PT que já acompanhava os movimentos em torno da candidatura de Bellintani à sucessão na capital baiana desde Curitiba, onde ficou preso por 580 dias, por meio dos muitos informes que lhe chegaram neste período sobre os cenários eleitorais e políticos em todo o país. A alguns interlocutores chegou a comparar a caminhada de Bellintani no Clube à lendária Democracia Corinthiana.
O movimento, surgido na década de 1980 no time Corinthians, foi liderado por um grupo de jogadores jovens e politizados como Sócrates, Wladimir, Casagrande e Zenon, que, em alguns casos, foram até perseguidos já no final da Ditadura. Como não conseguiram se encontrar nem é esperado que o façam mais na Bahia, o mais provável é que Bellintani seja levado a ele, em São Paulo, nos próximos dias.
Antes, no entanto, o presidente do Esporte Clube Bahia deve ter uma reunião com a presidente nacional do partido, Gleisi Hoffman, a ser marcada, conforme circulou ontem no Encontro Nacional do partido, pelo presidente estadual, Everaldo Anunciação. O encontro pode selar o compromisso do presidente do Bahia no sentido de se filiar ao PT ou apenas de concorrer à Prefeitura como aliado do partido.
Ela também compactuaria da visão externada por Lula de que Bellintani tem um olhar especial para o social demonstrado nas políticas que vem desenvolvendo para o Bahia que atraíram a atenção até do The Guardian, o tradicional jornal inglês simpático às esquerdas. Conforme antecipado por este Política Livre, a possibilidade de Bellintani concorrer foi abertamente tratada no evento petista pelos líderes do partido na Bahia.
No encontro, ficou decidido, por exemplo, que um grupo de lideranças comunitárias ligadas à agremiação se organizará para pedir o lançamento da pré-candidatura de Bellintani pelo PT já no próximo mês. O objetivo é calar a boca daqueles que argumentam, como o deputado federal Jorge Solla, que a idéia de lançá-lo à Prefeitura é um movimento restrito à cúpula partidária.
Os articuladores da mobilização pró-Bellintani acreditam que a iniciativa terá a capacidade de mostrar tanto aos setores do partido que resistem ao seu nome quanto ao governador, que muitos acreditam que demora a se engajar na pré-campanha do presidente do Esporte Clube Bahia, que o partido tem um nome "excepcional" para chamar de seu na sucessão municipal.
Em conversas com petistas durante o evento, este Política Livre apurou que não é o fato de ser branco, de descendência européia, nem considerado rico o que afasta Bellintani das bases petistas, mas, principalmente, a vinculação política pregressa dele com o grupo do prefeito ACM Neto (DEM), de quem foi secretário em duas pastas distintas no primeiro mandato do democrata.
"Este talvez seja o mais forte desafio que Bellintani precisa enfrentar internamente", diz uma fonte do partido, observando que o presidente do Esporte Clube Bahia conseguiu, depois do posicionamento de Lula, fechar completamente a cúpula partidária em torno de seu nome, o que considera um feito realmente notável.
